Abandono Atroz
Sou donzela abandonada
Num prado, na madrugada
Fria, perdida nas ervas verdejantes
Onde outrora fui amada
Incondicionalmente, agora nada,
Apenas um choro asfixiante
Por um sonhador distante
Que tudo improvisou
Para ser importante
Nesta humilde existência
Que tudo ameaçou
Numa frágil ausência.
Prometeu eternidade
Na sua desejada estadia
Pelo meu brando coração,
Apenas me mentia
Numa triste demência de ilusão,
Por agora,
Carrego o peso da traição,
Da angústia atroz e gélida,
Das lágrimas árduas,
De um ser que na despedida
Vira costas orgulhosamente
Ao ver-me perdida.


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