quarta-feira, 22 de abril de 2020


Tulipas


Chegou um ramo de tulipas, cor-de-rosa,
Daquelas que rimam em prosa,
Dignas de uma sequela de cinema.
Não são para mim.
São, meramente, alvo de um poema meu,
Desconstruído e imperfeito. 

Não podiam ser tuas,
Questiono-me, sussurro para mim,
E as memórias felizes começam a surgir
Quando imagino um gesto teu, igual a este.
Dói. Não são para mim.
E agora?
Será que me queres daquela forma?

Desiludi-me, uma e outra vez.
As tulipas continuam ali, cor-de-rosa.
Ela sorri. As flores têm a capacidades de trazer um sorriso.
Eu choro por dentro.
Queria tulipas no meu jardim
Queria-te a ti, assim, no meu coração.

Está a faltar alguma coisa.
Respiro. Será que ainda existe aquela fervorosidade em ti?
O instinto diz-me para não desistir,
O coração sabe que me vou magoar, novamente.

Não podiam ser tuas,
As túlipas brilham ao sol da janela,
Que visão singela.
E volto a chorar por dentro.
Quero tudo isto,
Amor, carinho, pequenos gestos,
Eterna felicidade.

Traz-me o caminho e a direcção,
Preciso de esquecer as desilusões,
Sempre tive medo do quão poderias despedaçar o meu coração.
Corrói-me. Às vezes sou desamada, por ti.
Choro. A vida volta ao meu olhar. Ferida.
Mas armada para lutar.

Contigo cresci, sou hoje um novo melhor de mim.
Que amor, que cumplicidade.
Ainda tenho medo, mas tento.
Quero livrar-me desta desilusão.
Preciso de acreditar, faz-me acreditar!


quarta-feira, 3 de abril de 2019




DESCONSTRUIR O AMOR

É simples amar alguém
Quando o amor é descomplicado
Me libertei de reflexos do passado
Me desprendi e voltei a criar-me,
Desta vez, com um espírito apaixonado.
.
Outrora fui alma mergulhada na penumbra
Desacreditei e falhei,
Mas chegaste, natural e surgiu.
Já não sei não pensar na tua aura,
Que me reconforta e esconde a sombra
Naquele abraço forte há tua porta.

Sou movida pela força da tua mão,
Que segura a minha, levemente,
Num estado de simplesmente ser
Naquela madrugada de sermos um do outro, de coração,
E nada mais imperfeito podia ser diferente.

Hoje sei o que o pensamento sente,
Começou, foi um lance amplamente fechado,
Que podia ter sido tão errado
Mas trouxe a jovialidade que ousara esconder
Por entre medos e receios de estilhaçar ainda mais a esperança,
Que na consciência vive, segura daquela singela dança.


quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Chorar

Apetece me chorar,
simplesmente isso,
chorar,
Com o silêncio mas no tumulto da frustração.
Vou dar à alma o que ela quer
Uma larga sequência de infelicidades
que se desmororam a cada tentativa
de conseguir,
de chegar.

Os olhos enxergam a falta de esperança
E começam a acumular as lágrimas
Até a visão ficar turva
de tristeza.
Porquê?
Nao sei.
Quero chorar.
Desalmadamente.
Deixar fluir toda a melancolia que tenho em mim
Que tenho naquilo que sou e faço
Naquilo que tento freneticamente alcançar.

As lágrimas atingem o limite,
A primeira escorre,
vagarosa,
dá o mote para começar um choro
perpétuo de angústia,
Talvez seja só um sonho
E as lágrimas a confirmação disso.

Há medo.
Lembro-me,
E elas continuam a cair,
severamente, pelo meu rosto.
Não consigo controlar o choro
e dispo-me de qualquer muralha que me tenha segurado até aqui
Que alivio,
liberto-me das amarras,
respiro,
Torno me eu novamente,
mas as lágrimas não cessam.
Porque a verdade mantém-se,
apesar de tudo,
o receio de não ser suficiente,
a realidade de não servir
e o medo de não me encaixar em nenhum lugar

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Agora começo a sorrir


A curva do meu sorriso
Desenha-se, devagarinho
Na curva que os teus dedos fazem
De mansinho,
Na madrugada de te ter
Aqui, comigo
Por inteiro de ser,
Sereno de nós,
Convicto de vida.

Um sorriso que tornou a infelicidade
De outrora esquecida,
No meu rosto
Há a saudade de ter pertinho
Mesmo quando a mim estás abraçado.
Descobri, és o meu caminho
Num enlace tão perfeito do passado,
Presente e futuro
Num beijo apaixonado
Que cala o mundo
Somente naquele segundo.

Os teus dedos acariciam-me
A alma
Trazem-me a calma
E estou em casa.
Vamos fazer valer
O tempo, a vida, cada respiração
Que um abraço teu
Faz ao meu coração
Numa sinfonia silenciosa
Onde o tu e o eu
Se tornam um balanço
Onde danço
Em sonhos tão reais como o teu corpo
Deitado a meu lado
Sem saber o quanto é amado.

Recordo o momento
Em que tudo se tornou aproximado
E tudo podia ter dado errado
Num golpe arriscado,
De sorte,
Ficou forte e agora?
Agora, agora só vejo a hora
De estar contigo até à morte.







quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Saudade.
Somente uma radiante saudade de te ter,
Aqui, no agora do viver.
Saudade.
Essa autêntica felicidade
De sentir saudade
Do que do bom vivo contigo, de verdade.
Vem e deixa-te ficar,
Não me deixes com saudade
Das nossas cumplicidades,
De te amar,
Por completo
Seja aqui ou no deserto,
De te olhar, brandamente,
Como se o meu silêncio fosse o canto dos teus olhos,
Um abrigo infindavelmente presente.
São verdades
Que do coração brotam sem filtro,
Ora não fossem as saudades
O que alma sente.
 

  

sábado, 16 de setembro de 2017

Um Abraço Especial
Há uma incerta beleza
No movimento
Que me prende, em ti….
Alenta o meu pensamento,
E torna-se uma surpresa.
É como uma viagem minha
Nas asas da gaivota sob o mar
Que paira, sozinha,
Agora já no ar.

Um movimento sereno
Mas autêntico de luz
Pela cumplicidade refletida que seduz
Tal onda aos meus pés num tempo somente ameno
A abraçar cada grão de areia
Num encaixe pleno
De um gesto simples de natureza cheia.
Abraça-me agora tu.
Traz-me aquela certeza
Pra vida toda, podes?

Agarra a minha mão
E mostra-me como vês o céu,
Troca –me a razão
E dá-me o sabor da essência de viver.
Aperta-me bem forte,
Balança-me num movimento
Viciante de ti, de nós, da sorte,
O movimento que me prende
Como nunca outro me prendeu,
Ali, fixo no tempo da história,
Mas tão vivo no hoje da minha memória.

Segura-me firme,
E faz-me crer que é possível
Existir uma história intocável
Escrita nas linhas do destino,
Um conto sensível
Tocado pelo divino
Pra acontecer ao som de um violino.

Abraça-me outra vez.
Acompanha o nosso movimento especial
Que devagarinho ganha ritmo
E que devagarinho se torna tão essencial.
Cruza o teu olhar com o meu
Vês o mesmo que eu vejo?

Fecha os olhos enquanto me fitas,
Eu fecho os meus também,
Vou sorrir agora às escondidas do teu olhar,
Enquanto contorno os teus traços que vou amar,
E suavemente, ao som do silêncio
Encontro a sinfonia
Que se cria em forma de poesia
Quando toco a tua pele,
Essa que me transporta a momentos
De uma história que se desdobra
A cada pôr-do-sol.

E cada vez sinto mais sentimento,
Num turbilhão de certezas incertas
No meu pensamento
Que se solta na acalmia do vento
Que passa,
E me leva a onde quero estar.
Abraça-me.
Não me largues,

É aqui que quero ficar.

terça-feira, 4 de julho de 2017

Amanhã voltas, pode ser?

Ao fundo vejo uma plácida coluna
De réstias de sol.
O laranja sobrepunha-se ao azul do céu
E os montes escondiam o teu fim.
Amanhã voltas, pode ser?

Sereno vai descendo,
Os meus olhos o acompanham,
Imóvel de vida, fico assim,
E presa na intimidade
De estar contigo em mim,
Num instante, em que sou só eu a ler-me,
De traz para a frente
Enquanto ficas comigo
A tentarmos juntos entender.

A cor dissipa-se
E eu com ela.
Não há beleza que me torne tão eu como esta
Nem tão pouco tão serena.
Algo que me traz o tudo que nunca trouxeste
E o nada que tão bem sabes escrever
Mas não digo.
Voltas amanhã, sim?

Ao fundo uma árvore,
Sozinha,
Mas tão minha,
Tão pacífica numa multidão
Que grita sem voz
Porque num nós
Perdido por aí
Fico agora só eu
Nesta dança que traz a noite.

O ébano ganha vida
E o brilho do dia
Escurece-me as palavras
Desta poesia,
Numa luz agora ténue
De um dia pleno de verão.
Por ti nada mais que escuridão,
Nada mais que nada
Porque o teu fim
Traz em mim
A discrepância da noite
Por isso,
Amanhã voltas, pode ser?