Tulipas
Chegou um ramo de tulipas, cor-de-rosa,
Daquelas que rimam em prosa,
Dignas de uma sequela de cinema.
Não são para mim.
São, meramente, alvo de um poema meu,
Desconstruído e imperfeito.
Não podiam ser tuas,
Questiono-me, sussurro para mim,
E as memórias felizes começam a surgir
Quando imagino um gesto teu, igual a este.
Dói. Não são para mim.
E agora?
Será que me queres daquela forma?
Desiludi-me, uma e outra vez.
As tulipas continuam ali, cor-de-rosa.
Ela sorri. As flores têm a capacidades de trazer um sorriso.
Eu choro por dentro.
Queria tulipas no meu jardim
Queria-te a ti, assim, no meu coração.
Está a faltar alguma coisa.
Respiro. Será que ainda existe aquela fervorosidade em ti?
O instinto diz-me para não desistir,
O coração sabe que me vou magoar, novamente.
Não podiam ser tuas,
As túlipas brilham ao sol da janela,
Que visão singela.
E volto a chorar por dentro.
Quero tudo isto,
Amor, carinho, pequenos gestos,
Eterna felicidade.
Traz-me o caminho e a direcção,
Preciso de esquecer as desilusões,
Sempre tive medo do quão poderias despedaçar o meu coração.
Corrói-me. Às vezes sou desamada, por ti.
Choro. A vida volta ao meu olhar. Ferida.
Mas armada para lutar.
Contigo cresci, sou hoje um novo melhor de mim.
Que amor, que cumplicidade.
Ainda tenho medo, mas tento.
Quero livrar-me desta desilusão.
Preciso de acreditar, faz-me acreditar!






