terça-feira, 4 de julho de 2017

Amanhã voltas, pode ser?

Ao fundo vejo uma plácida coluna
De réstias de sol.
O laranja sobrepunha-se ao azul do céu
E os montes escondiam o teu fim.
Amanhã voltas, pode ser?

Sereno vai descendo,
Os meus olhos o acompanham,
Imóvel de vida, fico assim,
E presa na intimidade
De estar contigo em mim,
Num instante, em que sou só eu a ler-me,
De traz para a frente
Enquanto ficas comigo
A tentarmos juntos entender.

A cor dissipa-se
E eu com ela.
Não há beleza que me torne tão eu como esta
Nem tão pouco tão serena.
Algo que me traz o tudo que nunca trouxeste
E o nada que tão bem sabes escrever
Mas não digo.
Voltas amanhã, sim?

Ao fundo uma árvore,
Sozinha,
Mas tão minha,
Tão pacífica numa multidão
Que grita sem voz
Porque num nós
Perdido por aí
Fico agora só eu
Nesta dança que traz a noite.

O ébano ganha vida
E o brilho do dia
Escurece-me as palavras
Desta poesia,
Numa luz agora ténue
De um dia pleno de verão.
Por ti nada mais que escuridão,
Nada mais que nada
Porque o teu fim
Traz em mim
A discrepância da noite
Por isso,
Amanhã voltas, pode ser?



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