sexta-feira, 2 de junho de 2017

Luz Tremeluzente


O dia virou noite.
E o sol? Esse nunca mais nasceu
Em mim.

Na penumbra ouvia os gritos mudos
De quem tudo perdeu
Mas na verdade, tudo ganhou.
Porque na incerteza do que seria
Encontrei a certeza de que o destino não é cruel
E nasce poesia.

As lágrimas não podem ser mais negras,
Iguais à cor do céu que me sobrepõem,
Mas neste coração há regras
Que me compõem
De verdades e realidades
De ternuras e felicidades
De tudo o que prezo
Para voltar, um dia, a ser eu
E não este estado que desprezo.

Fiz rimas em papel gasto, de choros
E embalos na madrugada,
Escrevi sobre a tristeza que chegou pela estrada
De uma vida, agora, perdida de olhar,
Na tentativa fugaz de ultrapassar
Esta dor de sentinela.
Mas falhei.
E só o destino, imune a charadas,
Me traria a luz tremeluzente
Mas suficiente
Para me encher a mente
De ti, de carinho, de cumplicidade.
De tudo o que acontece em mim em ti.
Porque chegaste e mostraste
Que uma pitada de simplicidade
Misturada com ternura
É a melhor cura.

Ora tu desmitificasses
Todo este rebuliço
Que outrora esteve desalinhado
Mas por ordem do coração
Brotou em certeza, 
E talvez, e só talvez
Surja uma realidade aprazível
Um dia vir a Ser.

Agora virei a página e hoje escrevo,

Somente, sobre o que me faz feliz.

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