quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Chorar

Apetece me chorar,
simplesmente isso,
chorar,
Com o silêncio mas no tumulto da frustração.
Vou dar à alma o que ela quer
Uma larga sequência de infelicidades
que se desmororam a cada tentativa
de conseguir,
de chegar.

Os olhos enxergam a falta de esperança
E começam a acumular as lágrimas
Até a visão ficar turva
de tristeza.
Porquê?
Nao sei.
Quero chorar.
Desalmadamente.
Deixar fluir toda a melancolia que tenho em mim
Que tenho naquilo que sou e faço
Naquilo que tento freneticamente alcançar.

As lágrimas atingem o limite,
A primeira escorre,
vagarosa,
dá o mote para começar um choro
perpétuo de angústia,
Talvez seja só um sonho
E as lágrimas a confirmação disso.

Há medo.
Lembro-me,
E elas continuam a cair,
severamente, pelo meu rosto.
Não consigo controlar o choro
e dispo-me de qualquer muralha que me tenha segurado até aqui
Que alivio,
liberto-me das amarras,
respiro,
Torno me eu novamente,
mas as lágrimas não cessam.
Porque a verdade mantém-se,
apesar de tudo,
o receio de não ser suficiente,
a realidade de não servir
e o medo de não me encaixar em nenhum lugar

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