A vida é um
sopro
Quando
olhamos para trás
E já parece
tanto tempo,
Até um
outro tempo.
A vida é um
sopro
Quando as
pessoas
Entram e
saem da tua vida
Quando
querem,
Pensando
que o coração
É meramente
ignóbil.
A vida é um
sopro
Quando vejo
os ponteiros
Do
fustigado relógio
A fugir da
célere
Constatação
de que a vida urge.
A vida é um
sopro quando amizades e amores
Vão e vem
numa fugacidade
Que nunca
foi planeada de verdade.
A vida é um
sopro
Quando
esboço sorrisos
Por
circunstâncias que agora,
Não são
mais que lágrimas tépidas
De saudade.
A vida é um
sopro
Quando a
mágoa dá lugar
À força de
viver num mundo,
Em que as
palavras
São dadas
ao vento
Em forma de desabafo.
A vida é um sopro
Quando vejo as
estações do ano
A correrem ao seu ritmo
mecânico,
Numa dança que me
transcende.
A vida é um sopro
Quando vejo o céu a
mudar
Da claridade do dia
Para a escuridão
surda da noite.
A vida é um sopro
Quando os meus sonhos
Tocam a inocência de
desejos
Que jamais, jamais
chegarão.
A vida é um sopro
Quando quero
transformar
O futuro no presente
Para descobrir aquilo
Que o destino me
reserva.
A vida é um sopro
Quando escuto uma
música
E penso o quanto me
inspirava
Num passado que já
não sei situar.
A vida é um sopro
Quando os dias parecem
idílicos de velocidade
Extremamente
assustadora,
e entendemos que não
há como pará-los.
A vida é um sopro
Quando olhamos para
trás
E lemos todas as
páginas
De histórias que foram
escritas
E outras ficaram por
escrever.
A vida é um sopro
Quando o singelo sol
sai
E dá lugar à lua
luminosa lá longe.
A vida é um sopro
Quando a recordação
Do primeiro beijo se
torna distante
E nem um sorriso
embaraçoso se solta,
Ao lembrar tal
friozinho
Desconhecido,
Que percorria a pele.
A vida é um sopro
Quando sentimos o
tempo
A escapar por entre
os dedos
Que o tentam
vivamente agarrar,
Enquanto não
valorizamos
A verdadeira verdade
da vida.
A vida é um sopro
Quando choramos por
momentos
Que queremos de
volta.
A vida é um sopro
Quando sentimos a
impotência
De recuperar aquilo
que foi perdido
Sem razão aparente,
No meio da imensidão
de paradigmas,
que fluem, por aí.
A vida é um sopro
quando a lembrança
Se torna nublada,
Como as manhãs frias
de inverno
Em que acordas a meu
lado, sereno.
A vida é um sopro
Quando as folhas das
árvores
Caem graciosas no
Outono
Mas a mente ainda
permanece
Presa no Verão.
A vida é um sopro
Quando as pessoas que
amamos
Se perdem para sempre
No manto invisível
das estrelas.
A vida é um sopro
Quando os olhares
Anteriormente
cúmplices
Se tornam vazios,
severos
Magoando a alma
atordoada.
A vida é um sopro
Quando vejo as marés
Irem e virem na
rotina
Que tão bem conhecem.
A vida é um sopro
Quando fixo o passado
E sinto pedaços dele
A desfazerem-se,
Uns por livre
vontade,
E outros por minha
vontade própria
De esquecer.

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