quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Janela

Uma gota reluzente de orvalho
Desliza na minha janela
E o tempo, lá fora grisalho
Dá a sensação de uma tela,
Singela e imaculada
No canto, iluminada
Pela pouca luz da madrugada.

Estava cruelmente apaixonada
Pelo sensível momento
E no pensamento somente nada
Apenas um sincero sentimento
Pela essência, que brota
Na fluidez de uma gota,
Tal como numa aguarela
Mas desta vez
Na minha pequena janela.

Num vislumbre para o mundo
Levo o olhar para o moribundo
acalmar do anoitecer
e descubro que é profundo
este amor pelo simples viver.
Seja na esférula que escorre,
Serena, ou na ampla natureza que se estende
Campo fora e surpreende.


É inteligível de perceber
O quanto dá esta janela
Virada para a vivência do ser,
Porque é bela
A vitalidade do tempo
E da factual certeza
De que um contratempo
É uma gentileza
Da vida pra te impulsionar ao mais forte
E trazer ânimo à sorte.


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